Boas ideias e excelentes estratégias, apesar de serem importantes para o sucesso de um negócio, não se mostram suficientes para crescer ou até mesmo sustentar um empreendimento ao longo do tempo. Muitos empreendedores tendem a dar maior peso a estratégia do que a própria implementação e execução do seu negócio, colocando assim a proposta de valor no lugar da entrega propriamente dita. As vezes a boa ideia e uma estratégia bem acertada se perde na execução, e o momento da verdade, que é quando o cliente tem contato com o produto ou serviço ofertado não corresponde com o que foi idealizado pelo empreendedor.
Por isso é muito importante que o empreendedor pense em cada detalhe da sua operação, é fundamental pensar cada etapa que compõe a entrega do produto ou serviço para o cliente pois o conjunto destas etapas é que vai proporcionar a experiencia e a satisfação do cliente.
A operação precisa ser desenhada de acordo com os objetivos estratégicos, pois só com este alinhamento existirá consonância entre o planejamento e a execução do dia a dia da empresa, somente com este alinhamento o empreendedor será capaz de avaliar se a estratégia é acertada pois a operação corresponde a estratégia e a entrega é exatamente aquilo que o foi planejado no momento da elaboração da proposta de valor.
Este alinhamento entre o que o cliente tem como resultado da operação e o que foi planejado para ele ter é tão mais complexo quanto maior for a operação e mais complicado for o produto ou serviço ofertado.
A sofisticação de controles, suporte sistêmico, processos e necessidade de mão de obra qualificada para obtenção destes objetivos é muito distinta quando comparamos, por exemplo, uma operadora de telecomunicações com uma startup de prestação de serviços. Esta diferença se dá por diversos fatores, como: Números de clientes, processos de negócio e seu grau de automação, regulamentação, sistemas de suporte e quantidade de colaboradores.
Considerando a necessidade da gestão da operação do negócio como parte fundamental para entrega da proposta de valor, uma vez detectado desvios na operação é necessário corrigi-los para que o cliente não seja impactado e não haja dissonância cognitiva entre a expetativa e a experiência que o cliente, aqui também temos diferenças importantes entre fazer isto em pequenas empresas e em grandes corporações pois se por um lado as pequenas empresas tem muita facilidade de alterar os seus processos, fazer a implementação de novos sistemas, treinar o pessoal e controlar mais de perto a operação por outro lado muitas vezes faltam recursos financeiros e expertise para fazer uma gestão da operação condizente com o momento da empresa.
Já as grandes empresas, considerando a possibilidade de maior disposição de recursos humanos e financeiros para fazer as devidas correções e controles, muitas vezes os processos envolvem tantas etapas, pessoas e sistemas que a detecção e correção de problemas se torna uma tarefa altamente complexa e que as vezes esbarram em questões de políticas e em conflitos de interesses internos.
Na prática é muito mais difícil controlar processos e promover mudanças em grandes corporações do que em pequenas empresas ou em negócios iniciantes, além dos fatores expostos anteriormente temos outro fator importante que é a escala. Um processo executado milhares de vezes está sujeito a variações de toda ordem, dependendo do grau de automação, do suporte sistêmico é muito difícil ter uniformidade na execução e então invariavelmente um cliente terá experiencia diferente do outro o que também é indesejado e complica a gestão pois dificulta a detecção de problemas e tomada de ações efetivas para a correção do processo.
Por isto, na gestão de operações de negócios é muito importante que os fluxos de entrega de valor para o cliente sejam mapeados etapa por etapa. Cada etapa deve ser minimamente desenhada do ponto de vista de entradas que recebe da etapa anterior, saídas que provê para a próxima etapa, suporte sistêmico e especificação de recursos humanos que serão necessários para performar a atividade se for o caso.
Também é fundamental pensar em indicadores de performance para cada uma das etapas que se deseja controlar, com os indicadores o administrador tem a possibilidade de controlar a operação e detectar desvios de forma rápida. Uma boa forma de se enxergar indicadores de performance é usando o ponto de vista do cliente, por exemplo: Tempo de entrega do produto para o cliente após conclusão da compra em um site de comércio eletrônico.
No tocante a sistemas, é desejável que os processos sejam suportados por sistemas de informação pois desta forma a uniformidade da execução é muito maior bem como a possibilidade de controle e ganho de escala. Em grandes corporações os sistemas são customizados e integrados, sendo que uma mesma informação permeia diversos departamentos e sistemas seguindo os fluxos de processos e os fluxos de trabalho. Já para empresas iniciantes muito provavelmente o primeiro sistema de informação é uma planilha excel e depois vai se sofisticando para pacotes de prateleira e sistemas customizados de pequeno porte.
Uma boa gestão de processos também trabalhará para ter os recursos humanos certos nas atividades corretas pois por mais que o processo esteja bem definido, que tenha indicadores, suporte sistêmico adequado e alto nível de automação, sempre, em algum elo da cadeia de valor, o fator humano será preponderante e se não houver o treinamento, motivação e preparo adequado todo o trabalho se põe a perder, seja qual for o tamanho e maturidade do seu empreendimento a atenção aos recursos humanos é fator critico para o sucesso da implementação de qualquer estratégia, e tem o potencial de transformar boas ideias em grandes negócios.
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Anderson Diogenes Pavanello
Anderson Diogenes Pavanello é engenheiro eletricista pela FEI, contador pela Universidade Estácio de Sá e tem MBA em Gestão e Estratégica e Econômica de Negócios pela FGV. Conquistou mais de 10.000 clientes nos primeiros 5 anos de operação do MEU CONTADOR ONLINE, empresa da qual é sócio fundador e CEO. É professor executivo da disciplina de Gestão de Operação de Negócios no MBA da Fundação Getúlio Vargas. Atuou por mais de uma década como executivo na Claro, onde coordenou projetos de integração entre as empresas Claro, Net e Embratel focado nos processos de vendas e atendimento ao cliente. É especialista em arquitetura e integração de sistemas de informação, gestão de processos e pessoas.