Tabela do cClassTrib: o que mudou na versão 1.70

Destaques, Tributação| 28 de out de 2026
Tabela do cClassTrib: o que mudou na versão 1.70 - Meu Contador Online

Tabela do cClassTrib: o que mudou na versão 1.70

A tabela do cClassTrib está na versão 1.70, publicada em 1º de outubro de 2026 no Portal Nacional da NF-e. A atualização criou 9 códigos novos, mudou indicadores de uso por documento e fixou prazo até 16 de outubro de 2026 para os autorizadores implantarem a versão em homologação e em produção. Se a sua empresa emite nota com IBS e CBS e o cadastro ainda aponta para a versão anterior, a nota corre risco de rejeição.

Este guia mostra o que mudou na tabela do cClassTrib, quais códigos entram e saem de cada documento e como conferir, item por item, se o seu cadastro está atualizado.

Por que a tabela do cClassTrib tem versão

A tabela do cClassTrib é a lista oficial dos códigos de 6 dígitos que informam, item por item, qual regra de IBS e CBS vale para a operação. Os três primeiros dígitos repetem o CST do IBS e da CBS. Os três últimos apontam o enquadramento específico na Lei Complementar 214/2025.

Ela tem versão porque a legislação muda. Cada edição do Informe Técnico 2025.002 publica uma fotografia da tabela, com data e número. A v1.60 saiu em 23 de junho de 2026. A v1.70 saiu em 1º de outubro e é a décima primeira desde maio de 2025.

Isso muda a natureza do problema. Não basta ter o campo preenchido. É preciso que o código preenchido ainda exista e ainda seja permitido no documento que a empresa emite. Quando o código sai da tabela do cClassTrib, ou quando o indicador dele muda, o validador da SEFAZ recusa o arquivo.

A versão 1.70 foi aprovada pelo Ato Técnico Conjunto RFB/SUFIS/CGIBS/Diretoria-Executiva nº 8, de 29 de setembro de 2026, publicado no site do CGIBS em 1º de outubro. O mesmo ato aprovou notas técnicas sobre o Valor Líquido do Produto e o novo DANFE da Reforma.

As 9 classificações novas da versão 1.70

A versão 1.70 da tabela do cClassTrib criou 9 códigos e manteve a estrutura de 6 dígitos. A tabela ficou com 173 códigos distribuídos em 18 CST do IBS e da CBS. Os novos códigos atendem três grupos que até então não tinham classificação própria.

tabela do cClassTrib: os 9 códigos novos da versão 1.70
Os 9 códigos criados pela versão 1.70 da tabela do cClassTrib, por grupo de aplicação.

Autônomos: 000006, 200055 e 200056

Três códigos tratam do fornecimento feito por trabalhador autônomo, pessoa física. O 000006 cobre a operação tributada integralmente. O 200055 cobre serviço de autônomo com redução de 60% na alíquota. O 200056 cobre a redução de 30%.

Quem contrata autônomo com frequência precisa revisar o cadastro do fornecedor. Antes da v1.70 não havia classificação específica para esse perfil, e a operação tendia a ser enquadrada por analogia.

Comércio exterior de pessoa física: 400003 e 400004

O 400003 cobre bagagens e o 400004 cobre remessas internacionais. Empresas que operam e-commerce com importação, ou que recebem amostras do exterior, passam a ter código específico na tabela do cClassTrib. Isso reduz o uso de códigos genéricos e o risco de a SEFAZ entender que o enquadramento não corresponde ao item declarado.

Regimes aduaneiros: 550026 a 550029

Quatro códigos do CST 550 tratam de suspensão em regimes aduaneiros. O 550026 é a admissão temporária com suspensão total na Zona Franca de Manaus. O 550027 é o drawback. O 550028 é a admissão temporária. O 550029 é a Zona de Processamento de Exportação.

Para indústrias e tradings, esse é o bloco de maior impacto. Operações de drawback costumavam usar o código de suspensão genérico. A classificação dedicada muda o indicador de crédito presumido e a forma como o item aparece no documento.

Indicadores por documento: NF-e, NFS-e, CT-e e DUIMP

A tabela do cClassTrib tem uma coluna de indicador para cada modelo de documento, e é isso que decide se o código pode ser usado ali. Os indicadores são indNFe, indNFCe, indCTe, indNFSe e equivalentes. Um código com indNFe igual a zero não pode aparecer em NF-e modelo 55, mesmo que exista na tabela.

A v1.70 mexeu nesses indicadores em 11 códigos. A mudança mais sensível é a ativação dos códigos 410022, 410023, 410024 e 410025 para a NF-e. Antes, eles não eram aceitos no modelo 55.

Também houve desativações. O 410028 saiu da NF-e ABI e da NFS-e. O 200001 saiu do CT-e OS. O 410034 saiu da DeRE. O 550021 saiu da DUIMP. Na DIR, o 410037 passou a ser aceito e os códigos 200012 e 200033 deixaram de ser. O código 410014 perdeu o indicador de crédito presumido na operação.

Nove códigos receberam anexo técnico: 200002, 550008, 550009, 550010, 550011, 550012, 550013, 550015 e 550018. O anexo indica o artigo da LC 214/2025, ou do regulamento, que lista as NCM e as NBS relacionadas ao código.

Rejeições 1023, 1024 e 1025 na prática

Três rejeições concentram os problemas de tabela do cClassTrib desatualizada. A 1023 ocorre quando o código informado não existe na tabela vigente. A 1024 ocorre quando o código é incompatível com o CST declarado. A 1025 ocorre quando o código não é permitido no modelo de documento emitido.

As regras de validação são UB14-10, UB14-20 e UB14-25 da Nota Técnica 2025.002-RTC. Uma tabela desatualizada no sistema emissor gera rejeição imediata. Uma tabela atualizada, mas com o cadastro apontando para o código errado, gera nota autorizada com tributação diferente da devida. O segundo caso é mais caro, porque não aparece como erro.

Conferir a tabela do cClassTrib é metade do trabalho. A outra metade é ter alguém revisando o cadastro todo mês. O Meu Contador Online mantém um contador exclusivo para cada empresa, com atendimento humanizado e acompanhamento das mudanças da Reforma Tributária. Conheça a troca de contabilidade.

Como conferir se o seu cadastro está na versão 1.70

A conferência segue cinco passos e começa pela versão da tabela do cClassTrib carregada no sistema, não pelo cadastro de produtos. Fazer na ordem certa evita retrabalho.

  1. Identifique a versão ativa no emissor. Procure no ERP a tela de tabelas fiscais e registre qual versão do Informe Técnico 2025.002 está carregada e em que data foi importada. Se a informação não existir, esse já é o primeiro problema a resolver.
  2. Baixe a v1.70 no portal oficial. As tabelas estão no Portal Nacional da NF-e, em Documentos e Informes Técnicos, e nos portais DF-e da SVRS. Existe consulta online em consumo.tributos.gov.br. Não use planilha de terceiro como referência final.
  3. Compare as duas listas de código. Confronte a lista da versão que está no sistema com a da v1.70 e marque o que foi criado, alterado ou encerrado. O próprio informe traz essa relação na seção de alterações.
  4. Varra o cadastro procurando código morto. Filtre os produtos ativos que usam código que saiu da tabela do cClassTrib ou que perdeu o indicador do documento que a empresa emite.
  5. Confira o par CST e cClassTrib. Ao trocar o cClassTrib de um item, verifique o CST associado. Os três primeiros dígitos precisam ser iguais. Atualização parcial, trocando só um dos campos, gera inconsistência no XML.

Empresas com muitas linhas de cadastro podem amostrar por família de produto e por NCM. A amostragem serve para estimar o tamanho do problema, não para encerrar a conferência.

O prazo de 16 de outubro já passou. O que fazer agora

O prazo para os autorizadores implantarem a versão 1.70 em homologação e em produção era 16 de outubro de 2026. Isso significa que a tabela do cClassTrib em uso na validação já é a nova. Um cadastro parado na versão anterior passou a conviver com um validador que já opera pela v1.70.

Três cenários aparecem. O primeiro é o sistema que atualizou a tabela mas não reclassificou o cadastro: a nota sai, com risco de enquadramento errado. O segundo é o sistema que não atualizou: a nota é rejeitada com 1023 ou 1025. O terceiro é o cadastro que nunca teve o campo preenchido, comum em empresas do Simples que trataram o assunto como tema de 2027.

Simples Nacional e MEI: entra na rotina em 2027

Para as empresas do Simples Nacional e para o MEI, o grupo de IBS e CBS na nota passa a ser preenchido a partir de 2027. É quando o CST do IBS e da CBS e o cClassTrib deixam de ser campo de teste e passam a ser obrigatórios na emissão.

Isso não significa que dá para esperar janeiro. O sistema emissor puxa o cClassTrib do cadastro do produto ou serviço, não da memória de quem emite. Quem já optou pelo Simples híbrido sente antes. Quem vende para empresas do Lucro Real tem um motivo adicional: o comprador precisa do código correto para aproveitar o crédito.

Quatro erros comuns ao atualizar a tabela do cClassTrib

A maior parte dos problemas não está na tabela, e sim na forma como ela entra no sistema. Estes quatro se repetem.

  • Atualizar e não versionar. Sem registrar qual versão está ativa e quando foi carregada, uma divergência futura não pode ser rastreada.
  • Trocar o cClassTrib sem conferir o CST. Os três primeiros dígitos precisam bater. Mexer em um campo só é a causa mais comum de rejeição 1024.
  • Achar que tabela atualizada resolve cadastro velho. São duas camadas. A tabela diz o que existe. O cadastro diz o que a empresa usa.
  • Ignorar a tabela de crédito presumido. A cCredPres também mudou na v1.70, com cinco colunas novas: indDecPag, indNFe, indNFCe, indCTe e indNFSe.

Um quinto erro, menos técnico e mais caro: tratar o assunto como tarefa do time de TI. A escolha do enquadramento é fiscal. O sistema só executa o que foi parametrizado.

Perguntas frequentes sobre a tabela do cClassTrib

Qual é a versão vigente da tabela do cClassTrib?

A versão 1.70, publicada em 1º de outubro de 2026, com implantação nos ambientes de homologação e produção até 16 de outubro de 2026. Ela tem 173 códigos distribuídos em 18 CST do IBS e da CBS.

Quantos códigos novos a versão 1.70 criou?

Nove: 000006, 200055, 200056, 400003, 400004, 550026, 550027, 550028 e 550029. Três tratam de serviços de autônomo, dois de comércio exterior de pessoa física e quatro de regimes aduaneiros.

Minha nota foi rejeitada com o código 1025. O que significa?

Significa que o cClassTrib informado não é permitido no modelo de documento emitido. A SEFAZ consulta o indicador do código para aquele modelo, como indNFe para a NF-e modelo 55. A solução é trocar por um código da tabela do cClassTrib vigente com o indicador ativo para o seu documento.

O Simples Nacional precisa preencher o cClassTrib em 2026?

Em 2026 o grupo de IBS e CBS na nota do Simples é campo de teste. O preenchimento obrigatório começa em 2027. A recomendação é usar 2026 para parametrizar o cadastro, porque em janeiro o código precisa sair pronto.

A tabela do cClassTrib pode mudar de novo antes de 2027?

Pode. A v1.70 é a décima primeira versão desde maio de 2025, e o histórico mostra atualizações a cada poucos meses. Por isso a recomendação de registrar a versão ativa e revisar o cadastro depois de cada publicação.

O cClassTrib substitui o NCM?

Não. São campos complementares. O NCM identifica a mercadoria. O cClassTrib informa o tratamento de IBS e CBS naquela operação. Um NCM errado leva a um enquadramento errado, mesmo com a tabela do cClassTrib atualizada.

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A atualização da tabela do cClassTrib é técnica, mas o efeito é financeiro. Um código errado aplica benefício indevido ou deixa de aplicar uma redução cabível, e nos dois casos o resultado aparece meses depois, em forma de auto de infração ou de imposto pago a mais.

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💡 Você pode se interessar: Guia completo de CST, IBS, CBS e cClassTrib na tabela oficial

Fontes: Informe Técnico 2025.002 v1.70 no Portal Nacional da NF-e; Atos Técnicos Conjuntos do CGIBS; Lei Complementar 214/2025.

Jorge

Autor do blog Meu Contador Online. Especialista em contabilidade e gestão empresarial.

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