Eleições 2026 e empreendedorismo: o Brasil depois da urna

Eleições 2026 e empreendedorismo: o Brasil depois da urna - Meu Contador Online

Lula, Flávio Bolsonaro e as decisões sobre impostos, crédito e abertura de empresa que precisam caber na vida real.

Por Anderson Pavanello, fundador, sócio e gestor do Meu Contador Online. Análise editorial com informações verificadas em 23 de outubro de 2026.

O Brasil tem uma capacidade extraordinária de discutir o destino da nação enquanto espera o café passar. Em semana de eleição, então, cada mesa ganha um ministro da Fazenda. Há quem resolva a dívida pública antes da segunda xícara. O difícil começa quando chega a conta.

Para quem empreende, a conta chega todos os dias.

Chega no aluguel, no imposto, na folha, no cliente que pede prazo. E chega também naquela pergunta que ninguém ouve, porque é feita por dentro: será que agora eu consigo abrir meu negócio?

Às portas do segundo turno de 25 de outubro, entre Lula e Flávio Bolsonaro, essa pergunta merece mais do que torcida. Merece uma análise capaz de atravessar o barulho e pousar sobre a mesa de quem precisa decidir. A data e os candidatos foram confirmados pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Minha conclusão para quem pretende abrir empresa é esta: a eleição muda expectativas e pode mudar políticas, mas a decisão de empreender precisa funcionar com a legislação vigente, demanda demonstrável e capital suficiente. Benefícios prometidos entram no cenário favorável; o orçamento inicial precisa sobreviver sem eles.

Este artigo compara propostas econômicas, seus limites e seus possíveis efeitos. Os impactos apresentados são análise, não previsão garantida. Os programas são documentos de campanha: comprovam compromissos anunciados, não a execução nem os resultados que atribuem a si próprios.

O que os planos de Lula e Flávio Bolsonaro oferecem a quem empreende?

Os dois programas falam em facilitar a vida dos pequenos negócios. A diferença aparece na combinação de instrumentos e no caminho proposto para financiar suas escolhas.

Lula: continuidade da reforma, crédito e investimento induzido pelo Estado

O programa de Lula registrado no TSE, especialmente nas páginas 48–58 e 74–76, propõe manter o arcabouço fiscal, consolidar a reforma tributária e combinar investimento público e privado, política industrial e crédito produtivo. Para empresas menores, inclui fundos garantidores, compras governamentais, digitalização e simplificação. Também prevê fiscalização contra relações de trabalho fraudulentamente disfarçadas de contratação empresarial.

A oportunidade está em ampliar mercados e capacidade produtiva. O ponto a cobrar é a execução: quais empresas conseguirão acessar os instrumentos, com que critérios, custo e prazo? Um programa anunciado em bilhões pode continuar distante do pequeno negócio que precisa financiar uma máquina ou receber por um serviço.

Flávio Bolsonaro: revisão tributária, redução de burocracia e novas regras fiscais

O programa de Flávio Bolsonaro registrado no TSE, nas páginas 27, 30, 43–46 e 69–72, propõe rever a reforma tributária, reduzir a carga sobre produção e consumo e diminuir exceções. Prevê revisão regulatória, redução do custo da contratação e o Minha Primeira Empresa, com capacitação e serviços de crédito pela Caixa. Na área fiscal, pretende reformular regras, cortar estruturas administrativas e estabilizar a dívida.

A oportunidade está em reduzir obstáculos recorrentes. O ponto a cobrar é a compatibilidade entre as promessas: quais tributos cairiam, quais despesas financiariam a redução e como preservar a transição dos sistemas já em adaptação? Uma direção favorável ao investimento ainda precisa virar norma aplicável e conta fechada.

Como avaliar as promessas sem entregar o caixa à campanha

Eu submeteria ambos os projetos ao mesmo conjunto de perguntas. São perguntas de gestão que continuam válidas depois de proclamado o vencedor.

1. Quem recebe o benefício e quem financia a conta?

Uma redução de imposto pode aumentar a margem da empresa, permitir baixar preços ou financiar investimento. O resultado depende da concorrência, dos contratos e do custo dos fornecedores. Não é possível prometer que cada real de desoneração aparecerá integralmente no preço final.

Da mesma forma, um incentivo concentrado em alguns setores precisa ser avaliado pelo retorno que produz e pelo custo para o restante da economia. É razoável apoiar uma atividade estratégica; também é necessário perguntar por quanto tempo, mediante quais metas e com que critério de saída.

A campanha de Flávio explicita a intenção de reduzir exceções tributárias. Essa mudança pode redistribuir a carga: uma alíquota geral menor pode coexistir com perda de vantagem para determinado setor. A comunicação econômica do PT destaca instrumentos de crédito, compras públicas e incentivos associados à política industrial. Nesse caso, a cobrança é demonstrar produtividade adicional e acesso efetivo, inclusive para empresas pequenas.

Nenhum dos efeitos deve ser presumido antes do desenho das medidas.

2. O equilíbrio fiscal continua de pé se o crescimento decepcionar?

Todo plano precisa de um cenário adverso. Se a arrecadação crescer menos do que o esperado, qual despesa será revista? Se uma economia administrativa demorar, qual promessa será adiada? Se uma desoneração produzir menos crescimento do que o projetado, como será financiada?

Sem essas respostas, o empresário corre o risco de receber alívio por uma porta e custo financeiro pela outra. O Banco Central explica como juros afetam investimento, consumo, crédito e câmbio. Em sua ata de junho de 2026, o Copom também aponta riscos ligados à disciplina fiscal, ao crédito direcionado e à incerteza sobre a dívida.

Isso não permite prever uma taxa de juros para cada resultado eleitoral. Permite exigir consistência. Crédito subsidiado pode ajudar quem o obtém; sua avaliação precisa incluir o custo público e as condições do crédito disponível para quem fica de fora.

3. A simplificação elimina trabalho ou apenas muda o formulário?

O custo burocrático aparece no tempo de cadastrar o mesmo dado repetidamente, corrigir divergências e interpretar exigências incompatíveis. Uma boa política deve reduzir essas tarefas de forma mensurável.

Eu cobraria indicadores simples: tempo até a autorização para operar, número de informações repetidas, prazo para resolver uma pendência e custo de cumprimento das obrigações. Digitalizar uma exigência inútil apenas lhe dá uma senha.

Para quem vai abrir uma empresa, o teste é concreto: o registro será acompanhado de viabilidade do endereço, enquadramento correto e licenças necessárias? Uma abertura rápida que deixa impedimentos para depois pode apenas antecipar a surpresa.

4. A regra é executável e durável?

Promessas tributárias podem depender de lei, regulamentação e coordenação entre União, estados e municípios. Alterar estruturas constitucionais exige aprovação do Congresso pelo procedimento próprio. O presidente tem influência relevante, mas não controla sozinho todos esses passos. A distribuição das competências e o processo de emenda estão na Constituição Federal.

Uma empresa precisa conseguir planejar o contrato que assina hoje e executará amanhã. Por isso, também devemos cobrar antecedência, regras de transição e orientação operacional. Uma mudança bem-intencionada pode custar caro quando chega sem tempo para adaptação.

Reforma tributária em 2027: o trabalho já começou

O resultado eleitoral não suspende automaticamente a reforma. Segundo o cronograma da Receita Federal, 2027 traz a substituição de PIS e Cofins pela CBS, mantendo-se uma etapa inicial do IBS. A substituição gradual de ICMS e ISS pelo IBS ocorre de 2029 a 2032, com conclusão prevista para 2033.

Portanto, não faz sentido interromper a preparação da empresa esperando uma revisão prometida em campanha. Uma alteração futura deverá ser incorporada quando aprovada, com seus efeitos e prazos efetivamente definidos.

O empresário precisa mapear produtos e serviços, revisar cadastro fiscal, preparar a emissão de documentos e examinar preços e contratos. Há trabalho útil a fazer sob qualquer governo.

Por que uma alíquota anunciada não revela quanto sua empresa pagará

A análise exige distinguir alíquota nominal, créditos admitidos, tratamentos específicos e regime de tributação. Comparar um percentual de CBS ou IBS com o DAS inteiro mistura tributos e bases diferentes.

O CGSN esclarece que a empresa pode permanecer no Simples Nacional e optar pela apuração regular de IBS e CBS. Nessa situação, essas parcelas saem do DAS; os demais componentes seguem o regime aplicável.

A Lei Complementar 214/2025 disciplina os créditos e o tratamento das aquisições de optantes do Simples. Quem permanece com esses tributos no regime simplificado não gera, para o adquirente, o mesmo crédito de uma operação integralmente submetida ao regime regular: é necessário observar o valor legalmente admitido. Salários de empregados, por sua vez, não equivalem a uma compra tributada geradora de crédito de IBS e CBS.

Isso ajuda a entender por que dois negócios com faturamento parecido podem chegar a decisões distintas. Uma operação com muitas compras tributadas e clientes empresariais tem uma estrutura diferente de uma prestadora de serviços intensiva em trabalho e voltada ao consumidor final.

A decisão exige uma simulação que reúna imposto, crédito, preço aceito pelo cliente e custo administrativo. Nosso artigo sobre Simples Nacional puro ou híbrido em 2027 desenvolve essa comparação.

Um prazo mais próximo do que a posse

Na data desta análise, a Receita Federal informa: a opção pelo regime regular de IBS e CBS para o primeiro semestre de 2027 pode ser feita até 30 de outubro de 2026. Essa data também é o limite informado para regularizar pendências de pedidos de ingresso no Simples apresentados na janela própria, encerrada em 15 de outubro. São procedimentos distintos, com condições próprias.

Quem já está no Simples não deve confundir isso com uma obrigação geral de pedir novo ingresso. Quem está abrindo empresa também precisa observar as regras específicas de início de atividade.

Para a empresa abrangida por esses prazos, esperar a posse pode significar perder uma decisão disponível agora. Vale conhecer a análise do Simples Nacional do Meu Contador Online e verificar o que se aplica ao seu CNPJ.

Imposto da empresa e imposto do sócio: duas contas diferentes

Outra confusão frequente é tratar faturamento, lucro e dinheiro disponível para o sócio como se fossem a mesma coisa.

Uma empresa pode faturar bastante e ter pouco lucro. Pode apurar lucro e ainda estar esperando o cliente pagar. Pode ter caixa e precisar dele para estoque, tributos e salários. A distribuição exige olhar contábil e financeiro ao mesmo tempo.

Segundo as orientações da Receita Federal sobre a Lei 15.270/2025, desde janeiro de 2026 há retenção de 10% sobre o total de lucros e dividendos que uma mesma pessoa jurídica paga a uma mesma pessoa física residente no Brasil quando o montante supera R$ 50 mil no mês. A orientação inclui empresas do Simples. Existem regras de transição e uma apuração anual de altas rendas, com compensações, exclusões e possíveis ajustes.

Essa regra não é uma previsão sobre o próximo presidente. É parte do quadro atual. Tampouco representa um imposto genérico sobre qualquer transferência entre contas ou uma alíquota final universal para todos os sócios.

Para quem está começando, a providência útil é prever pró-labore, despesas pessoais e reinvestimento, mantendo registros e separação entre patrimônio empresarial e pessoal. O sonho de ter uma empresa não deveria obrigar a família a viver de retiradas improvisadas.

Trabalho e escala 6×1: o plano de governo ficou atrás do calendário

Há uma atualização decisiva: a Emenda Constitucional 141, de 16 de outubro de 2026, já foi promulgada. Ela prevê dois dias de repouso semanal remunerado e redução gradual da jornada, sem redução salarial: 42 horas após dois meses da publicação e 40 horas um ano depois dessa primeira etapa. O texto contém regras específicas e possibilidades de negociação coletiva.

O programa de Lula ainda descreve a aprovação da mudança como objetivo; o de Flávio enfatiza redução de custos e flexibilidade. O planejamento empresarial precisa partir da norma promulgada. Promessa de campanha não afasta obrigação vigente nem substitui o exame da convenção coletiva.

A emenda admite que lei complementar estabeleça medidas transitórias de mitigação para pequenos negócios, condicionadas à manutenção do emprego. Essa autorização não deve ser lançada como dinheiro garantido no orçamento.

Em uma conta meramente aritmética, manter a mesma remuneração e reduzir de 44 para 40 as horas semanais eleva em 10% a remuneração por hora. Isso não significa aumento automático de 10% na folha ou no custo total da empresa. O efeito depende de cobertura de horários, produtividade, horas extras, escala e necessidade de contratação.

Para uma loja ou restaurante, o exercício é desenhar a operação por faixa de movimento. Para um escritório, pode ser revisar reuniões, retrabalho e distribuição das tarefas. Uma hora recuperada de desorganização vale mais do que uma palestra sobre produtividade.

Também é preciso considerar benefícios possíveis: descanso adequado e melhor organização podem ajudar a reduzir faltas e rotatividade. Esses ganhos precisam ser medidos na própria operação; não convém tratá-los como compensação automática.

Onde cada pequeno negócio deve concentrar sua atenção

Não existe um único “empresário brasileiro”. Existe quem vende almoço, quem desenvolve software, quem mantém equipamentos, quem fabrica e quem presta serviço sozinho. A mesma mudança alcança essas operações por caminhos diferentes.

Comércio, alimentação e serviços ao consumidor

Acompanhe renda e frequência de compra dos clientes, margem por produto, aluguel, desperdício e cobertura dos horários de atendimento. Um movimento maior no caixa pode ser consumido por custos crescentes. Venda, margem e recebimento precisam aparecer em linhas separadas.

Empresas que vendem para outras empresas

Converse com os clientes sobre créditos tributários, documentação e contratos que atravessam 2027. O comprador avalia seu custo total. Oferecer o menor preço da nota pode não ser suficiente, e recolher por fora do Simples pode não compensar os custos adicionais. É uma conta comercial e tributária conjunta.

Indústria, tecnologia e fornecedores de projetos

Monitore oportunidades concretas de financiamento, compras públicas e contratação privada. Verifique edital, elegibilidade, contrapartidas e prazo de pagamento. Uma política pode abrir mercado, mas a empresa ainda precisa entregar com qualidade e financiar o intervalo entre produzir e receber.

Quem vai trabalhar como PJ ou abrir o primeiro CNPJ

Comece pelo contrato real, pela atividade e pelo risco que assumirá. A análise não se resume ao imposto mensal: inclui proteção previdenciária, custos profissionais, períodos sem receita e natureza efetiva da relação com o contratante. Um CNPJ, isoladamente, não resolve essas questões.

Uma simulação: o resultado da empresa pode mudar antes do imposto

Considere uma operação hipotética com receita mensal de R$ 100 mil, custos e despesas variáveis de 60% da receita, já incluindo os tributos assumidos no exemplo, e despesas fixas de R$ 30 mil, incluindo a remuneração do trabalho do sócio. O resultado operacional simplificado é R$ 10 mil.

Os cenários abaixo são testes de sensibilidade, sem probabilidade atribuída e sem associação a qualquer candidato. Não representam alíquotas previstas para 2027.

Simulação empresarial — valores mensais hipotéticos
Cenário hipotéticoResultado operacional mensal
Situação inicial: receita de R$ 100 milR$ 10.000
Receita cai 10%; variável permanece em 60% e fixos não mudamR$ 6.000
Custo tributário efetivo sobe 2 pontos percentuais da receita; demais premissas iniciais mantidasR$ 8.000
Despesas fixas sobem 5%; demais premissas iniciais mantidasR$ 8.500
Os três movimentos acontecem juntosR$ 2.700

No cenário combinado, R$ 90 mil de receita menos R$ 55,8 mil de despesas variáveis e R$ 31,5 mil de fixas deixam R$ 2,7 mil. Uma queda de 10% nas vendas, somada às outras pressões, reduz o resultado em 73%.

O cálculo não inclui juros, depreciação, investimentos, variação do capital de giro nem tributos sobre o lucro que eventualmente se apliquem. Não é lucro líquido nem saldo disponível no banco.

O exercício revela por que o debate precisa ultrapassar a alíquota. Uma empresa pode sobreviver a uma mudança isolada e sofrer quando venda, custo e prazo de recebimento se deterioram juntos. Também pode melhorar bastante com ganhos modestos em várias frentes.

Antes de perguntar qual cenário político é ideal, vale descobrir quanto de pressão o negócio suporta.

Abrir empresa agora ou esperar 2027?

Eu separaria essa decisão em duas partes: começar a testar a demanda e assumir compromissos que serão difíceis de desfazer.

Conversar com clientes, elaborar propostas, estudar o endereço e simular a tributação são providências que podem avançar. Assinar um aluguel longo, contratar uma estrutura grande ou comprar estoque com dívida exige evidência mais forte de receita.

Abrir agora pode fazer sentido quando existe demanda, contrato ou necessidade de operar formalmente, e a conta se sustenta nas regras atuais. Esperar pode fazer sentido quando não haverá atividade no curto prazo ou quando uma variável decisiva ainda não foi esclarecida.

Esperar por um benefício eleitoral incerto tem custo: oportunidades podem passar, enquanto a vantagem esperada pode mudar ou não chegar. Antecipar a abertura sem propósito também tem custo: obrigações e despesas começam antes dos clientes.

A Receita Federal prevê regra própria para inscrições no CNPJ entre outubro e dezembro de 2026: a opção pelo Simples feita no momento da inscrição, atendidos os requisitos, pode valer para o restante de 2026 e para 2027. Isso precisa ser tratado no processo de abertura; não é enquadramento automático.

Desenvolvemos os critérios no guia Abrir empresa em 2026 ou esperar 2027?.

O que eu colocaria no plano da próxima segunda-feira

No dia 26 de outubro, independentemente do resultado, uma reunião curta com números organizados pode ser mais útil ao negócio do que horas acompanhando palpites.

  1. Confirmar a demanda. Quantos clientes comprariam, quanto pagariam e quando pagariam? Interesse sem compromisso merece tratamento diferente de contrato assinado.
  2. Simular os regimes permitidos. Considerar atividade, faturamento, folha, clientes e compras, inclusive os efeitos da transição tributária.
  3. Projetar o caixa semanal. Separar recebimentos, pagamentos, tributos, dívidas, investimento e retiradas dos sócios. Uma reserva depende do ciclo do negócio e dos compromissos assumidos.
  4. Testar um cenário adverso. Vendas menores, recebimentos mais lentos e custos maiores. Identificar o momento de reduzir despesas ou adiar uma expansão.
  5. Revisar contratos e operação. Prazos, reajustes, responsabilidades, escala de trabalho e condições de entrega precisam conversar entre si.
  6. Definir gatilhos de decisão. Contratar quando houver demanda sustentada; expandir após comprovar margem e capacidade; revisar preços quando os custos reais exigirem.
  7. Acompanhar normas e oportunidades concretas. Registrar responsável, prazo e documento. Uma promessa só entra na projeção principal quando há base suficiente para usá-la.

Para abrir o CNPJ, também é útil o nosso checklist de documentos para abertura de empresa.

O país da segunda-feira

Há um instante muito particular antes de começar um negócio. A pessoa já escolheu o nome, já imaginou a primeira venda, já contou a novidade para alguém. Ainda assim, alguma coisa permanece suspensa. Não é falta de vontade. É o tamanho da responsabilidade procurando lugar dentro dela.

O Brasil poderia facilitar esse instante. Poderia oferecer regras mais compreensíveis, serviços públicos melhores e menos surpresa para quem quer produzir. Cobrar isso de qualquer governo é legítimo.

Mas a empresa também precisa de um chão que possamos construir: cliente, margem, contrato, caixa e informação confiável. A prudência não apaga o desejo de começar. Dá ao desejo condições de durar.

Os programas de governo merecem leitura e cobrança. Seus resultados dependerão de escolhas, aprovações e execução. Nosso trabalho, como empresários, é reconhecer oportunidades sem contar antecipadamente com recursos que ainda não existem.

No domingo, o país escolhe seu presidente. Na segunda-feira, alguém abre uma porta pela primeira vez. Alguém emite a primeira nota. Alguém descobre que o sonho, agora, tem também um vencimento.

Que encontre orientação suficiente para continuar.

Transforme a decisão de empreender em um plano viável

No Meu Contador Online, a abertura começa pela análise da atividade, do endereço e do enquadramento tributário. Você conta com um contador exclusivo e pode falar com seu contador sempre que precisar.

Se já tem uma ideia e quer compreender os próximos passos, inicie a abertura da sua empresa com o Meu Contador Online. Se já possui CNPJ, conheça nossa contabilidade online e converse sobre a preparação para 2027.

Perguntas frequentes sobre eleições e abertura de empresa

A eleição muda os impostos imediatamente?

O resultado da votação, por si só, não altera a tributação. Mudanças dependem dos instrumentos jurídicos e das regras de vigência aplicáveis. O planejamento deve acompanhar as normas efetivamente aprovadas.

É possível afirmar que um candidato reduzirá o imposto de toda empresa?

Não. É preciso conhecer a medida aprovada, sua abrangência e o perfil da operação. Uma mudança pode favorecer determinados negócios e produzir efeitos diferentes em outros.

Preciso esperar o novo governo para abrir meu CNPJ?

Não há essa necessidade geral. A decisão depende de demanda, formalização exigida para a atividade, custos, tributação e caixa. A eleição é uma variável do ambiente, não um requisito para começar.

O Simples Nacional continua relevante em 2027?

Sim. A análise passa também pela escolha de como recolher IBS e CBS, quando essa opção se aplica. Compare os regimes com dados da empresa e confira os prazos próprios de sua situação.

O programa de governo substitui a legislação trabalhista ou tributária?

Não. O programa orienta a análise das intenções do candidato. Obrigações, direitos, benefícios e prazos decorrem das normas aplicáveis, inclusive quando uma lei ou emenda posterior já mudou o cenário descrito na campanha.

Fontes e método: programas integrais disponibilizados pelo TSE, comunicações das candidaturas identificadas como tais, legislação federal, Receita Federal, CGSN e Banco Central. Os links estão próximos dos pontos a que se referem. Cenários empresariais e conclusões são análise editorial própria. Este texto retrata a situação consultada em 23/10/2026 e deve ser atualizado diante de mudanças posteriores.

Anderson Pavanello

Anderson Pavanello é fundador, sócio e gestor do Meu Contador Online, empresa que conquistou mais de 10 mil clientes em seus primeiros cinco anos de operação. Também é sócio-diretor do Meu Contador Prime e investidor nos mercados de capitais e imobiliário. Sua trajetória reúne conhecimentos que raramente caminham juntos. É engenheiro eletricista com ênfase em Telecomunicações pela FEI, contador pela Universidade Estácio de Sá e possui MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela Fundação Getulio Vargas. Também foi professor executivo de Gestão de Operações de Negócios nos cursos de MBA da FGV. Antes de empreender no setor contábil, trabalhou por mais de dez anos na Claro. Iniciou sua trajetória na empresa como desenvolvedor e, mais tarde, assumiu posições executivas, liderando projetos de integração entre Claro, NET e Embratel nas áreas de vendas e atendimento ao cliente. Também atuou com modelagem de processos e desenvolvimento de sistemas de informação, incluindo uma plataforma responsável por processar mais de 20 mil ativações de planos pré-pagos por dia. Foi essa combinação entre engenharia, tecnologia, gestão e contabilidade que ajudou Anderson a construir uma visão própria sobre o setor: a contabilidade não deve apenas registrar o que aconteceu, mas oferecer ao empresário clareza para decidir o que fazer a seguir. Pai de três filhas, praticante de kung fu e apaixonado por motovelocidade e automobilismo, participa de track days sempre que possível. No blog do Meu Contador Online, escreve sobre os desafios reais de empreender no Brasil, traduzindo temas contábeis, tributários e empresariais em informações claras, práticas e úteis para quem precisa tomar decisões todos os dias.

Compartilhe:

Leia mais