Quanto custa o MEI? Como funciona o MEI?

MEI| 14 de ago de 2025
Quanto custa o MEI? Como funciona o MEI? - Meu Contador Online

Introdução ao MEI

Se você é um pequeno empreendedor, trabalha por conta própria ou está pensando em abrir o seu primeiro negócio, é provável que já tenha ouvido falar no MEI – Microempreendedor Individual.
Essa é, atualmente, a forma mais simples, barata e rápida de se formalizar no Brasil, permitindo que milhões de pessoas saiam da informalidade e passem a ter um CNPJ, acesso a benefícios previdenciários e possibilidade de emitir notas fiscais. Dúvidas de quanto custa o MEI e como funciona o MEI provavelmente são comuns.

O MEI foi criado para atender especialmente quem está começando, com pouco capital e uma estrutura enxuta.
Com um custo fixo mensal baixo, poucas obrigações e um processo de abertura totalmente online e gratuito, ele se tornou a porta de entrada para o empreendedorismo formal.

Ao longo deste guia, você vai aprender:

  • O que é o MEI e como funciona.

  • Quais são os requisitos para se formalizar.

  • Passo a passo para abrir seu CNPJ como MEI.

  • Custos e impostos envolvidos.

  • Como encerrar o MEI caso precise.

  • Diferenças entre MEI, CNPJ e outros tipos de empresa.

  • Dicas para aproveitar ao máximo os benefícios do MEI.


O que é um MEI (Microempreendedor Individual)

O Microempreendedor Individual (MEI) é uma categoria jurídica e tributária criada em 2009 para formalizar profissionais autônomos e pequenos empreendedores que antes trabalhavam na informalidade.
Ao se registrar como MEI, o empreendedor passa a ter um CNPJ próprio, direitos previdenciários, possibilidade de emitir notas fiscais e um regime simplificado de pagamento de impostos.

Quem pode ser MEI?

Para se enquadrar como MEI, é preciso atender alguns critérios:

  • Faturar até R$ 81 mil por ano (média de R$ 6.750,00 por mês).

  • Atuar sozinho ou com no máximo um funcionário registrado.

  • Não ter sócios e não ser titular ou administrador de outra empresa.

  • Exercer uma atividade que esteja na lista oficial de ocupações permitidas para MEI.

📌 Exemplo prático: Maria é costureira e trabalha de casa. Ao se registrar como MEI, ela passa a ter CNPJ, pode emitir notas fiscais para lojas que compram suas peças e contribui para o INSS com um valor fixo mensal. Isso permite que ela tenha acesso à aposentadoria e outros benefícios no futuro.

Vantagens de ser MEI

  • Formalização rápida e gratuita: todo o processo é feito online, em poucos minutos.

  • Custo fixo baixo: impostos pagos em guia única, com valores entre R$ 70 e R$ 80 por mês.

  • Benefícios previdenciários: aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade, entre outros.

  • Emissão de notas fiscais: o que aumenta a credibilidade e abre portas para atender empresas e órgãos públicos.

  • Menos burocracia: poucas obrigações e dispensa de contabilidade formal (embora recomendada para organização financeira).

💡 Dica de ouro: Mesmo não sendo obrigatório ter um contador, contar com orientação profissional ajuda a evitar erros que podem gerar multas ou o cancelamento do MEI.

Como funciona o MEI?

O MEI foi criado para que pequenos empreendedores possam formalizar suas atividades com simplicidade, pagando pouco imposto e tendo acesso a benefícios.
Na prática, isso significa que o MEI é uma empresa individual com regras específicas:

1. Tributação simplificada

O MEI paga apenas um imposto mensal fixo, o DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).
Esse valor já inclui:

  • INSS: 5% do salário mínimo vigente.

  • ICMS: R$ 1,00 (para comércio e indústria).

  • ISS: R$ 5,00 (para prestação de serviços).

💡 Exemplo: Se o salário mínimo for R$ 1.500, o INSS do MEI será R$ 75,00. Se for MEI prestador de serviços, soma-se R$ 5,00 de ISS, totalizando R$ 80,00 por mês.

2. Obrigações mínimas

O MEI tem poucas obrigações acessórias:

  • Pagar o DAS mensalmente, mesmo que não tenha faturado.

  • Enviar a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI) até o final de maio.

  • Emitir nota fiscal quando o cliente for pessoa jurídica ou quando solicitado por pessoa física.

Não há necessidade de escrituração contábil complexa, mas é recomendado manter um controle financeiro básico para organizar receitas e despesas.

3. Emissão de notas fiscais

O MEI pode emitir Nota Fiscal Eletrônica (NF-e) ou Nota Fiscal de Serviços Eletrônica (NFS-e), dependendo do tipo de atividade.
Isso é obrigatório quando vende para empresas, mas opcional para vendas a pessoas físicas.

📌 Exemplo prático: João, MEI eletricista, presta um serviço para uma construtora. Ele é obrigado a emitir a nota fiscal para a empresa, pois o cliente é pessoa jurídica.

4. Contratação de funcionário

O MEI pode contratar apenas 1 empregado registrado, pagando todos os direitos trabalhistas e recolhendo FGTS e INSS patronal.


Passo a passo para se tornar MEI

Abrir um MEI é simples e 100% online é a forma mais rápida de obter um CNPJ, o CNPJ sai na hora.
Veja o passo a passo detalhado:

1. Verifique se você pode ser MEI

  • Faturamento até R$ 81.000 por ano.

  • Apenas um funcionário.

  • Atividade na lista de ocupações permitidas.

  • Não ser sócio ou titular de outra empresa.

💡 Dica: Consulte a lista oficial de atividades no Portal do Empreendedor antes de começar.

2. Separe a documentação

  • CPF e RG.

  • Título de eleitor ou número do último recibo do Imposto de Renda.

  • Endereço residencial e, se houver, comercial.

  • Telefone e e-mail.

3. Acesse o Portal do Empreendedor

  • Entre em www.gov.br/mei.

  • Clique em “Quero ser MEI” e depois em “Formalize-se”.

  • Faça login com sua conta gov.br (nível prata ou ouro).

4. Preencha as informações

  • Dados pessoais.

  • Atividade principal e, se necessário, secundárias (CNAE).

  • Endereço de atuação.

  • Nome fantasia (opcional).

  • Capital social (valor estimado do investimento inicial).

5. Finalize e obtenha seu CCMEI

O sistema emitirá na hora o Certificado de Condição de Microempreendedor Individual (CCMEI), que já contém seu CNPJ.

📌 Exemplo real: Carla, que vendia bolos de forma informal, se cadastrou como MEI em menos de 20 minutos. No mesmo dia, já tinha CNPJ, inscrição municipal e autorização para emitir notas.

Quanto custa o MEI?

Uma das maiores vantagens do Microempreendedor Individual é que abrir um MEI é totalmente gratuito.
O processo de registro é feito online, diretamente no Portal do Empreendedor, e não há taxa de abertura, protocolo ou registro.

No entanto, existem custos mensais fixos para manter o MEI ativo, que correspondem ao pagamento do DAS-MEI (Documento de Arrecadação do Simples Nacional). Esse imposto único cobre:

  • INSS – 5% do salário mínimo vigente (destinado à Previdência Social).

  • ICMS – R$ 1,00 para comércio e indústria.

  • ISS – R$ 5,00 para prestadores de serviços.

💡 Exemplo prático:
Se o salário mínimo for R$ 1.500,00:

  • INSS: R$ 75,00

  • ICMS: R$ 1,00 (se comércio/indústria) ou ISS: R$ 5,00 (se serviço)
    Total: entre R$ 76,00 e R$ 80,00 por mês.

📌 Importante: Mesmo que você não tenha faturamento no mês, ainda precisará pagar o DAS para evitar multas e perder benefícios previdenciários.


Quais são as taxas e impostos do MEI

O MEI possui um regime tributário simplificado, o que significa menos burocracia e menos impostos.
Ele se enquadra no Simples Nacional e paga apenas o DAS-MEI, cujo valor é atualizado todo mês de acordo com o salário mínimo.

O que está incluso no DAS-MEI

  • Contribuição ao INSS: 5% do salário mínimo.

  • ICMS: R$ 1,00 para comércio e indústria.

  • ISS: R$ 5,00 para prestação de serviços.

Esse pagamento garante cobertura previdenciária, incluindo:

  • Aposentadoria por idade.

  • Auxílio-doença.

  • Salário-maternidade.

  • Pensão por morte para dependentes.

Outros possíveis custos

Embora o MEI não pague outros tributos federais como IRPJ, PIS ou COFINS, ele pode ter custos adicionais em situações específicas:

  • Multa por atraso no DAS: valor acrescido de juros diários.

  • Taxas municipais ou estaduais: em alguns casos, dependendo da atividade.

  • Encargos trabalhistas: caso contrate um funcionário.

💡 Dica prática: O pagamento do DAS pode ser feito via boleto ou débito automático, e o ideal é programar para não atrasar. O não pagamento pode levar ao cancelamento do MEI.

📌 Exemplo real:
André é MEI no setor de manutenção. Seu custo fixo é de R$ 80,00 mensais. Ao contratar um funcionário, passou a recolher também FGTS e INSS patronal, mas continua com um custo total bem menor do que teria em outro tipo de empresa.

Possibilidade de encerrar o MEI a qualquer momento.

Uma das facilidades do MEI é que ele pode ser encerrado a qualquer momento, sem burocracia excessiva e de forma gratuita.
O processo é feito totalmente online, pelo Portal do Empreendedor.

Como encerrar o MEI

  1. Acesse o Portal do Empreendedor.

  2. Clique na opção “Baixa do MEI”.

  3. Faça login com sua conta gov.br (prata ou ouro).

  4. Confirme os dados e conclua a solicitação.

Ao finalizar, o sistema emitirá o Certificado de Baixa do MEI, documento que comprova que a empresa foi encerrada.

📌 Importante: Antes de dar baixa no MEI, é necessário:

  • Quitar todos os boletos do DAS.

  • Entregar a Declaração Anual de Encerramento.

💡 Exemplo prático:
Fernanda abriu um MEI para vender roupas online, mas decidiu voltar para o mercado de trabalho com carteira assinada. Em 15 minutos, encerrou o MEI pela internet e ficou em dia com suas obrigações.


Diferenças entre MEI e outros tipos de empresas

Embora o MEI seja uma opção muito vantajosa para quem está começando, ele não serve para todos os tipos de negócio.
Comparar com outras categorias ajuda a entender quando vale a pena migrar.

1. MEI x ME (Microempresa)

  • Faturamento anual:

    • MEI: até R$ 81 mil.

    • ME: até R$ 360 mil.

  • Funcionários:

    • MEI: apenas 1.

    • ME: mais de 1, conforme necessidade.

  • Atividades:

    • MEI: somente as previstas na lista oficial.

    • ME: qualquer atividade permitida pela lei.

💡 Quando migrar?
Se o faturamento anual ultrapassar R$ 81 mil ou se precisar contratar mais funcionários.

2. MEI x EPP (Empresa de Pequeno Porte)

  • Faturamento anual:

    • EPP: de R$ 360 mil até R$ 4,8 milhões.

  • Estrutura:

    • EPP pode ter sócios, várias atividades e mais funcionários.

  • Tributação:

    • Geralmente pelo Simples Nacional, mas com mais obrigações acessórias.

💡 Quando considerar?
Quando o negócio crescer significativamente e exigir mais estrutura.

3. MEI x Empresário Individual

  • Burocracia:

    • Empresário Individual tem obrigações contábeis e fiscais mais complexas.

  • Tributação:

    • Pode ser pelo Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real.

  • Flexibilidade:

    • Pode atuar em qualquer atividade permitida e sem limite de faturamento do MEI.

📌 Resumo:
O MEI é ideal para começar, mas não comporta um crescimento sem limites. Quando a empresa atinge novos patamares de faturamento ou estrutura, é preciso migrar para outra categoria.

MEI x CNPJ: qual é a diferença?

Muita gente acha que MEI e CNPJ são coisas diferentes, mas na verdade a relação é simples:
O MEI é um tipo de empresa e, ao se registrar, recebe automaticamente um CNPJ.

📌 O que é CNPJ?
CNPJ significa Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, que é como o “CPF” das empresas.
Ele identifica formalmente o negócio perante a Receita Federal e outros órgãos.

📌 O que é MEI?
MEI é a categoria empresarial criada para formalizar pequenos empreendedores com faturamento anual limitado e menos burocracia.

💡 Exemplo prático:

  • Um MEI de serviços de jardinagem abre seu negócio.

  • Ao se formalizar, ele recebe um CNPJ.

  • Esse CNPJ indica que ele é um MEI e segue as regras dessa categoria.

Resumo da diferença:

  • MEI = modelo de empresa, com regras próprias.

  • CNPJ = número de registro da empresa (qualquer empresa, não só MEI).


Resumo: o que é MEI e como se formalizar

O Microempreendedor Individual (MEI) é a porta de entrada para quem quer transformar uma atividade informal em um negócio legalizado.
Ele oferece tributação simplificada, custo baixo e benefícios previdenciários.

📌 Principais pontos para lembrar:

  • Faturamento anual de até R$ 81 mil.

  • Apenas 1 funcionário registrado.

  • Atividade precisa estar na lista permitida.

  • Pagamento mensal fixo via DAS.

  • Benefícios do INSS garantidos.

  • Possibilidade de emitir nota fiscal.

  • Encerramento rápido e gratuito, se necessário.

💡 Passo a passo resumido para se tornar MEI:

  1. Conferir se sua atividade está na lista permitida.

  2. Separar documentos (CPF, RG, título de eleitor ou recibo de IR).

  3. Acessar o Portal do Empreendedor.

  4. Preencher dados pessoais e da empresa.

  5. Emitir o CCMEI e começar a operar.


Dica final para pequenos empreendedores:
O MEI é uma excelente forma de iniciar sua jornada empresarial, mas é importante planejar o crescimento. Se o negócio expandir, esteja pronto para migrar para outra categoria, mantendo a legalidade e aproveitando novas oportunidades.

Anderson Pavanello

Autor do blog Meu Contador Online. Especialista em contabilidade e gestão empresarial.

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