Escolha do Regime Tributário: Simples, Presumido ou Real?

Tributação| 17 de set de 2025
Escolha do Regime Tributário: Simples, Presumido ou Real? - Meu Contador Online

Introdução

Uma das maiores dúvidas de quem vai abrir uma empresa é sobre a escolha do regime tributário. Essa decisão deve ser tomada já na abertura do CNPJ, e influencia diretamente na carga de impostos, na burocracia e nas obrigações acessórias que a empresa terá ao longo do tempo.

Mas afinal, qual regime tributário optar: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real? A resposta depende de fatores como faturamento projetado, margem de lucro esperada e natureza da atividade. Não existe um modelo único que sirva para todos – por isso, entender cada opção é fundamental antes de decidir.


1. Simples Nacional: ideal para pequenos negócios

O Simples Nacional foi criado para desburocratizar e reduzir a carga tributária de micro e pequenas empresas. Ele unifica oito tributos em uma guia única (DAS), facilitando o dia a dia do empreendedor.

  • Limite de faturamento: até R$ 4,8 milhões por ano.

  • Vantagens:

    • Unificação dos impostos;

    • Alíquotas reduzidas nas faixas iniciais;

    • Menor complexidade burocrática.

  • Desvantagens:

    • Empresas com margens muito altas podem pagar mais imposto que em outros regimes;

    • Algumas atividades sofrem incidência em anexos com alíquotas elevadas (ex.: consultorias e profissões intelectuais).

📌 Exemplo: Um comércio que fatura R$ 20.000/mês pode pagar alíquotas a partir de 4%, enquanto um prestador de serviço intelectual pode começar com 15,5%.


2. Lucro Presumido: simplicidade com limites

O Lucro Presumido é indicado para empresas que não podem optar pelo Simples ou que possuem margens de lucro elevadas em relação ao faturamento.

  • Limite de faturamento: até R$ 78 milhões por ano.

  • Como funciona: o governo “presume” a margem de lucro da empresa (geralmente 8% para comércio/indústria e 32% para serviços) e aplica sobre ela IRPJ e CSLL.

  • Vantagens:

    • Mais simples que o Lucro Real;

    • Pode ser vantajoso para empresas com margens reais maiores que a margem presumida.

  • Desvantagens:

    • Não permite aproveitamento de créditos de PIS/COFINS;

    • Pode ser oneroso para negócios de margem baixa.

📌 Exemplo: Uma empresa de serviços que fatura R$ 100.000/mês terá 32% desse valor como base para IRPJ e CSLL, independentemente do lucro real.


3. Lucro Real: transparência e créditos tributários

O Lucro Real é obrigatório para empresas com faturamento acima de R$ 78 milhões/ano, mas pode ser escolhido por empresas menores quando estrategicamente vantajoso.

  • Como funciona: a tributação ocorre sobre o lucro contábil ajustado.

  • Vantagens:

    • Possibilidade de compensar prejuízos fiscais;

    • Aproveitamento de créditos de PIS e COFINS;

    • Mais justo para empresas de margens baixas.

  • Desvantagens:

    • Maior complexidade contábil e fiscal;

    • Custos mais altos de conformidade.

📌 Exemplo: Uma indústria que fatura muito, mas opera com margens apertadas, pode se beneficiar do Lucro Real, pois os tributos incidem apenas sobre o lucro efetivo.


4. Como escolher o regime tributário ideal?

A escolha depende de:

  • Faturamento projetado: negócios menores tendem a se beneficiar do Simples.

  • Margem de lucro: margens altas podem favorecer o Lucro Presumido; margens baixas, o Lucro Real.

  • Natureza da atividade: atividades intelectuais e consultorias geralmente enfrentam alíquotas mais altas no Simples.

  • Complexidade desejada: o Simples é mais prático, enquanto o Lucro Real exige maior controle contábil.

Segundo o Sebrae-SC, o ideal é simular os cenários antes da decisão.


Conclusão: simule antes de decidir

A escolha do regime tributário é estratégica e impacta diretamente na saúde financeira da empresa. Não existe resposta única: o melhor caminho é simular a tributação nos três regimes e avaliar qual traz menos custos e mais segurança.

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Anderson Diogenes Pavanello

Anderson Diogenes Pavanello é engenheiro eletricista pela FEI, contador pela Universidade Estácio de Sá e possui MBA em Gestão Estratégica e Econômica de Negócios pela FGV. É fundador, sócio e gestor do Meu Contador Online e Sócio-Diretor do Meu Contador Prime. Atuou por mais de dez anos como executivo na Claro, participando de projetos de integração entre Claro, NET e Embratel nas áreas de vendas, atendimento e operações. Foi professor executivo de Gestão de Operações na FGV e escreve sobre gestão, contabilidade, tributação e transformação digital para empresas.

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